Vicente Celestino
(1894 - 1968)
Vicente Celestino representa, em toda a história de nossa música,
a mais longa e ininterrupta carreira de intérprete sem jamais ver
diminuída a popularidade. Quando morreu, às vésperas
dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São Paulo, estava de saída
para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, que seria
gravado para um programa de televisão.
Foram 54 anos de vida artística, se contados a partir de
1914, ano de sua estréia na Companhia do Teatro São José.
A valsa "Flor do Mal" foi nessa ocasião seu primeiro
grande sucesso e também entrou no seu primeiro disco, em 1916, na
Odeon (Casa Edison).
Antônio Vicente Filipe Celestino nasceu no Rio de Janeiro,
no bairro de Santa Tereza, filho de italianos da Calábria. Dos 6
homens (eram 11 irmãos), 5 dedicaram-se ao canto e 1 ao teatro.
Desde os 8 anos, por causa de sua origem humilde, Celestino teve
de trabalhar: sapateiro, vendedor de peixe, jornaleiro e, já
rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.
Antes do teatro cantava muito em festas, serenatas e chopes-cantantes.
Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou renome.
Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro
com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões
pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só fizeram aumentar sua
popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da canção.
Na fase mecânica de gravação, fez cerca de 28
discos com 52 músicas. Com a gravação elétrica,
em 1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento
técnico, logo superada. Aí recomeçaria os sucessos
cantados em todo o Brasil. Em 1935 foi contratado pela RCA VICTOR, praticamente
daí sua única gravadora até falecer. No total, gravou
em 78 rpm cerca de 137 discos com 265 músicas, mais
10 compactos e 31 Lp's, nestes também incluídas
reedições dos 78 rpm.
Vicente Celestino, que tocava violão e piano, foi o compositor
inspirado de muitas das suas criações. Duas delas dariam
o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: "O
Ébrio" (1946) e "Coração Materno"
(1951). Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu
(1904 - 1979), cantora, escritora, atriz e cineasta.
O incrível Vicente Celestino passaria incólume e imperturbável
por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50,
fiel ao seu estilo, gravou "Conceição", "Creio
em Ti" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu
eterno arrebatamento, paixão e inigualável voz de tenor,
fizeram com que o povo o elegesse como A Voz Orgulho do Brasil.
Celestino (com o copo) no filme "O Ébrio".
Vicente Celestino.
Nota:
O texto desta página é de autoria de Abel Cardoso
Junior com adaptações livres de João
Rosa, idealizador deste site de resgate da memória de um dos
maiores artistas brasileiros de
todos os tempos.