Cabocla Serrana

             
    Existe neste sertão
    no alto daquela colina
    uma cabocla que habita
    uma choupana pequenina
    Ficam todos a contemplar
    a sertaneja
    quando aos domingos
    ela garbosa passa airosa
    para a igreja

    Se alguém lhe revelar
    os seus amores, insiste
    Ela corando suspira
    Baixa o olhar e fica triste
    Quem for ao monte pela tardinha
    irá escutar
    os caborés tristonhos
    a glória dos sonhos
    sertanejos cantar

    Cabocla, estes versos
    tão cheios de ti
    escrevi à luz do luar
    contemplando-te a choupana
    ó serrana
    Quisera Deus que fôras minha
    Seria um rei e tu
    de todo este sertão
    quase rainha
    Ter nos lábios teus
    o aroma excelso das caçoulas
    Teus seios afagar
    como a um casal de pombas-rolas
    E ouvir cantar pelas manhãs
    solenizando o nosso amor
    os sabiás nos coqueirais em flor



 
    Autoria: Cândido das Neves "Índio"

    Lançamento: dezembro de 1932



 

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