Conter
meu pranto
pra
fingir que sou feliz
como
dói tanto!
E
o coração a palpitar, coitado, ermo
tão
enfermo
não
tem termo de chorar
Ninguém,
talvez nem Deus, conheça a mágoa
que
traz os olhos meus tão rasos d'água
A
cruz desta paixão ninguém arranca
da
sepultura branca do meu coração
Minh'alma
que não molda em ansiedade
desfolha
uma grinalda de saudade
Saudade
de um desejo que não morreu
Saudade
de um beijo que ela não me deu
Eu
tenho nos meus ais adoretados
a
tristeza dos rosais abandonados
Glorifico
a minha dor, ai dor bendita
quase
infinita neste amor
Lançamento: outubro de 1936