Em Delírio

                 
    Meu Deus, ela esqueceu o juramento
    Arrancai-me o nome seu do pensamento
    O meu pobre coração endolorado
    pede cansado compaixão

    Conter meu pranto
    pra fingir que sou feliz
    como dói tanto!
    E o coração a palpitar, coitado, ermo
    tão enfermo
    não tem termo de chorar

    Ninguém, talvez nem Deus, conheça a mágoa
    que traz os olhos meus tão rasos d'água
    A cruz desta paixão ninguém arranca
    da sepultura branca do meu coração

    Minh'alma que não molda em ansiedade
    desfolha uma grinalda de saudade
    Saudade de um desejo que não morreu
    Saudade de um beijo que ela não me deu

    Eu tenho nos meus ais adoretados
    a tristeza dos rosais abandonados
    Glorifico a minha dor, ai dor bendita
    quase infinita neste amor



 
    Autoria: Cândido das Neves "Índio"

    Lançamento: outubro de 1936



 

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