Voltaste

                 
    Voltaste, mas voltaste no momento
    em que tudo é esquecimento, é solidão
    Voltaste agora que impuro
    eu sei que tenho o coração
    Eu acho até que nem devemos relembrar
    aqueles beijos que trocamos ao luar
    Repara dentro em mim, mas sem assombro
    as ruínas, os escombros e a algidez
    que causou-me esta saudade
    Esta saudade que tanto mal me fez

    E agora porque vens bater à porta
    de uma alma quase morta, no extertor?
    Tu que um dia abandonaste
    tanto afeto, tanto amor!
    Talvez devido a tanta ingratidão
    marmorizou-se meu coração

    Voltaste, mas voltaste infelizmente
    pois meu coração descrente enlouqueceu
    e hoje é um devasso
    É um coração igual ao teu!



 
    Autoria: Cândido das Neves "Índio"

    Lançamento: outubro de 1937



 

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